Entrevista com Eduardo Pinheiro

Você foi um dos pioneiros no acesso da internet aqui no Rio Grande do Sul. Desde quando você acessa a internet?

Estive entre os primeiros milhares, usando a rede através da UFRGS, onde na época cursava ensino médio técnico. Meus primeiros acessos foram em 1993, telnet, gopher e ftp. A web veio depois. Acessava principalmente ftp.funet.fi e ftp.sunet.se. Acho que muita gente dentro da universidade na época até fazia a conta e acessava e-mail, mas provavelmente fui um dos primeiros a furungar a coisa pra valer, obsessivamente, no então sistema VMS que a federal nos proporcionava pela incrível velocidade de 2k4 baud, pelo telefone.

Foto de um encontro da Masternet em 1996.

Você parece ter sido bastante influente nos primórdios da internet…

Na cauda longa, no nicho, acho que até sim. Já me escreveu gente dizendo que a minha foto foi uma das primeiras coisas que viram na internet. Quando fiz meu primeiro website, em 1996, não havia (como ainda não há, relativamente falando) muito conteúdo em português. Daí que isso, e a onda de misticismo esotérico que rolava no Brasil nos anos 90 (minha primeira página era sobre Aleister Crowley e Jorge Luis Borges), mais o fato de que toda pessoa articulada acabava se conhecendo no “clube” que era a internet até o fim da década, fez com que eu fosse relativamente conhecido. Mas permaneço realmente uma mera curiosidade fringe na mente das pessoas que ainda lembram.

O que era o canal #Iluminatti?

Um canal de IRC (Internet Relay Chat), onde conheci várias pessoas com quem ainda pecho hoje, de vez em quando. Fui um dos criadores do canal em 1996 ou 1997, mas chegou um ponto em que precisei sair totalmente, porque o chat estava consumindo minha vida, e eu basicamente só brigava com dezenas de pessoas a noite toda. Larguei toda forma de chat público de 1998 até 2008, e a partir daí uso bem pouco e evito bastante — se eu não conheço pessoalmente, eu peço para enviar e-mail. Pelo mesmo motivo parei com qualquer tipo de game, mas em particular os multiusuários e por rede, desde a mesma época. (O Facebook eu entrei em 2010 para divulgar um centro budista em que eu vivia, mas também encerrei minhas atividades por lá em 2017, após a eleição de Donald Trump. E recomendo a todos que façam o mesmo.)

E o Pacto Gnóstico NOX?

O Daniel Pellizzari criou esse site, e botou um ou dois textos meus. Ele se interessava mais por Magia Caótica do que eu. Nunca entendi bem a proposta, mas parece que ainda está no ar.

Segundo site na internet, 1996.

Como você concebeu seu livro “Ciberxamanismo”? Como ele é estruturado? Qual foi a sua influência?

Ciberxamanismo, hoje chamado Memórias do Neto de Dacum, o Aborígene, foi um projeto inspirado principalmente por Robert Anton Wilson e a cultura da droga de forma geral, com alguma cabala, thelema (o sistema místico de Aleister Crowley), psicologia de almanaque e misticismo quântico — também alguma Magia do Caos. Só por essa lista dá para entender porque, hoje, o livro me envergonha tanto. Por “cultura da droga”, quero dizer principalmente essa ideia de que os alucinógenos proporcionariam algum tipo de experiência espiritual — o que hoje me parece algo profundamente absurdo.

Autor de “Memórias” e amigos.

Como se deu a confecção do texto “Vendendo Psicodélico por Lebre”, e qual a repercussão que ele teve e tem até hoje?

Quando eu comecei a largar as drogas, primeiro eu larguei os alucinógenos, e boa parte da versão da ideia de “expansão da consciência”. Nessa altura eu já havia tomado refúgio no darma do Buda, e usei um enfoque secular, ainda que embasado no livro seminal e absolutamente clássico de Trungpa Rinpoche, Além do Materialismo Espiritual.

Esta foto não foi tirada sob efeito de dORgas.

Qual foi a influência dos estados alterados na tua vida, e o que te salvou desse estado delusório? Como você superou essa ideia?

A pior droga para mim, além do açúcar, foi a cannabis. Ela realmente mexe com a energia do sujeito, e embora eu ache que tem bastante gente funcional sob efeito dela, também acredito que essas pessoas certamente estariam bem melhor sem ela. Essa droga foi difícil de largar, e eu precisei passar por umas experiências bem ruins com ela, e realmente sentir o peso dela sobre o corpo, para me conscientizar. Por uns dois anos depois que eu parei (em 2001), eu ainda sonhava que estava fumando ou indo comprar a droga.

Desenho por Fernanda Alvarenga.

Você acha que teria chegado ao budismo se não tivesse passado pelas experiências que passou?

Chegar ao budismo nunca é garantido, o mérito precisa ter sido acumulado ao longo de muitas vidas — é o que o próprio budismo afirma sobre isso. Acho que se fixar nas experiências dessa vida é um erro. Então acho que embora eu tenha com certeza gasto um bocado de tempo e mérito com essas bobagens, eu ainda assim consegui, até certo ponto, me conectar com o darma. Mas a conexão com o darma é um esforço diário, momento a momento — não é nunca garantida, até o estado completo de buda.

Esta foto também não foi tirada sob efeito de dORgas.

Qual a influência que essa etapa contribui atualmente no teu pensamento?

Acho que consigo ver como caímos facilmente presas do hype, e nos entregamos a ideologias sem pensar as coisas direito, só porque parecem esteticamente atraentes ou mesmo só porque são uma coisa fringe na sociedade, e portanto “reptilianos, avante!”, ou algo assim. “Abaixo o sistema, cara”.

Livros publicados.

Quantos livros você escreveu e qual a temática deles?

Além do Memórias, há o Restos Mortais (não disponível para venda, pendente revisão]) que é a coletânea de minha marginalia. Sim, é absurdo, mas num determinado ponto achei divertida a ideia de um escritor sem obra publicando marginalia. Mas é exatamente isso, e tem pouca coisa ali digna de orgulho. Ele é um livro bastante pessoal. Vendeu bem menos que o Memórias. Também não aconselharia a ninguém comprar. Pelo jeito sou o único escritor que não aconselha as pessoas a comprar seus livros… “São muito ruinzinhos, não percam tempo com eles.”

Leitores de Fritjof Capra.

Seu primeiro contato com a filosofia oriental foi pelo “O Tao da Física” (Fritjof Capra)?

Evito chamar o pensamento asiático de “filosofia” porque há muito eurocentrismo no uso desse termo, ainda que ele tente sempre se passar por neutro e universal. As preocupações e métodos da filosofia podem ter semelhanças com várias formas sistemáticas de pensar na Ásia, mas é problemático chamar as últimas de “filosofias” — esse é um projeto grego, alemão, francês, inglês e que se vinculou a religiões abrahâmicas. Para muita gente isso soa uma crítica ao pensamento asiático, mas de um viés que não vê tanto valor assim na filosofia, como o meu, é na verdade um elogio. Quero separar as coisas para não misturar com a confusão ocidental.

Pinheiro recebe o katag de Chagdud Rinpoche.

Todos sabemos que você é um budista emérito. Quando você pela primeira vez ouviu falar de Buda?

São tempos de degenerescência mesmo, esses em que alguém como eu aparenta a reputação de ser emérito no campo do budismo. Eu, talvez por ser tão gordo e histriônico, sou visível — além dessa minha atividade exibicionista na internet… daí os incautos acabam achando que eu tenho algum tipo de reputação como budista. Isso pode ser facilmente dissipado se perguntarem a algum dos meus professores ou amigos próximos que são praticantes: eles vão dizer “Ah, o Eduardo… é meio preguiçoso, né… uma figura… até que nem sempre ele apronta confusão.” Ou algo assim.

Druptchen de Vajrakilaya, 1999.

Qual foi sua primeira impressão de Buda? E do budismo em geral?

A estátua gorda? Não muito boa. Achava uma superstição divertida. Legal por ele ser tão obscenamente gordo. Parecia haver algo de errado nisso. Com relação a figura do Buda histórico, quando conheci a história da vida dele eu já era lido em Nietszche, então como qualquer pseudão dos anos 90, achei um absurdo aquela fixação toda em sofrimento. A perspectiva mahayana da vacuidade, por outro lado, me interessou muito.

Chagdud Tulku Rinpoche, 2001.

Você estava no Templo de Três Coroas no retiro de p’howa quando Chagdud Tulku Rinpoche morreu, em novembro de 2002. O que aconteceu naquele dia, como você se sentiu, como foi tal experiência — quais os méritos que você encontra nela?

Estar presente quando um mestre do calibre do Rinpoche morria enquanto ensinava uma prática sobre como morrer foi a experiência mais importante da minha vida. Vi algumas outras pessoas morrendo, e no melhor dos mundos, é bastante desagradável — você se depara com o sofrimento da pessoa, que às vezes é muito grande por um longo período de tempo, sem saber muito o que fazer, e só pensa que uma hora isso vai acontecer também com você. Não é fácil, se você não tem certas ferramentas espirituais.

Foto com Dzongsar Khyentse Rinpoche em 2001.

Você se considera um bom budista?

Comparado com um professor como Rinpoche, claro que não. E nem comparado com bons praticantes que conheço — mesmo alguns que começaram a praticar talvez 10 ou 15 anos depois de mim. No entanto, nos tempos de degenerescência, até gente preguiçosa como eu, que põe muito pouco esforço na prática espiritual, com qualquer pouco esforço é capaz de gerar muito mérito. Então é possível regozijar até com o pouco darma que eu consigo sustentar na minha vida cotidiana e na minha quase inexistente prática formal. É um regozijo meio assustado, cutucando: “Puxa, você bem que poderia se aplicar um pouco, não é mesmo?”.

Pinheiro no pátio do Khadro Ling.

No darma existe o conceito do praticante que esconde as próprias capacidades, que age como um agente secreto. Você é um praticante secreto?

Não. Se eu tivesse grandes qualidades e agisse como eu ajo, talvez desse para dizer isso. Mas eu realmente não tenho grandes qualidades. Essa é a diferença. Quem não me conhece bem que me compre.

Foto de Mauriã Sabbado, fotógrafo que, segundo Pinheiro, é mesmo um exemplo de praticante low profile.

Por que o low profile é indicado para qualquer praticante?

Na maioria dos casos, não em todos, mas na maioria, não é proveitoso ser estereotipado como um budista. Além do que, de forma geral, falar da própria prática espiritual produz obstáculos, no sentido de que você tende a começar a aumentar o número de variáveis que podem interferir — por exemplo, uma pessoa vem e diz “Ah, você faz prostrações? Prefiro tai chi.” E na hora em que você está fazendo sua prática, surgem dúvidas aleatórias — não fazem parte propriamente de um processo de reflexão sobre a prática, que você deve ter feito até certo ponto antes de se engajar nela, mas surgem como dissipação de uma energia que você poderia estar focando de forma mais coerente.

Na lista de livros que te marcaram , você encerra falando de dois livros de budismo que seria “ótimos remédios amargos”… Como é lidar com esse tipo de literatura? Como você se sente lidando com eles?

Tem que se ler. Se é desagradável, é porque vai polir alguma coisa que está saliente. Muitos professores budistas também não são exatamente agradáveis, especialmente depois que o encanto dos encontros iniciais passa. Mas estes livros que mencionei têm ótimos momentos, mesmo num sentido de entretenimento, comoventes mesmo. O problema é que você se depara com sua própria insignificância, e com desespero pelo tempo que já perdeu. Daí o problema, é claro, não é o livro. É como um espelho: não dá para culpar o espelho pelo desconforto.

Paramentado para o trabalho como porteiro do templo.

Como foi a experiência de morar em Centros do Darma? Você pretende morar mais uma vez em algum desses centros?

Nunca se sabe, mas não tenho planos. A experiência para mim nas duas vezes que tentei (dois anos e meio, no total entre as duas) foi difícil, creio, por motivos bem diferentes do que a maioria das pessoas pensa. Sou filho único e acostumado a muita privacidade, e a não ter que lidar com os outros o tempo todo. No centro de darma a interação social é muito intensa — eles têm até mais festas do que eu normalmente aguentaria. Ninguém acredita nisso, mas a minha vida em Porto Alegre é muito mais isolada, quieta e fácil do que num centro de darma. As pessoas pensam que é o oposto: que o centro de darma talvez seja até uma chatice, a pessoa fica rezando e não fazendo nada, descansado e em silêncio, quase catatônico… é bem diferente disso: o trabalho é muito intenso, e a interação é muito intensa também.

Recebendo bênçãos de Chagdud Rinpoche no Druptchen da Essência do Siddhi, 2001.

Fora o pensamento budista, você parece marcado por uma série de outros assuntos: música, filosofia, linguística, ciência da computação… Você é influenciado por alguns outros pensadores que não são budistas?

Wittgenstein sempre achei uma figura muito interessante, mas todo mundo sabe que ele não é muito compreendido. Talvez eu tenha uma interpretação peculiar, mas gosto da biografia dele pelo Ray Monk, O Dever do Gênio.

Na UFRGS.

Em 2003 você foi estudar Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas não prosseguiu no curso, por quê? E por que você decidiu cursar filosofia? Como foi essa experiência?

Trato disso no meu livro Filosofia: Forma de Vida e Passarela de Egos, porque realmente o meu motivo para ir para a faculdade foi sui generis. Foi um professor budista que recomendou que eu fizesse física, mas achei muito difícil; seria necessário estudar todos os dias, calcular integrais o tempo todo, páginas e páginas de cálculos. Então pensei em trocar para Letras, mas o professor em questão achou que Filosofia seria mais interessante, para estudar as várias formas com que as pessoas se enganam.

Por que você decidiu não seguir a carreira acadêmica, fazer mestrado e depois doutorado?

Isso ainda pode mudar, mas a princípio acho que não aguentaria a maioria dos departamentos que conheço, e não sei se haveria orientador para algum dos assuntos que me interessa. Além disso, acho que teria que fazer esforço demais para me vincular a um curso cuja qualidade fosse capaz de respeitar.

Com o Lha Kang do Khadro Ling em Três Coroas ao fundo.

O que você acha da relação entre budismo e helenismo, o budismo helenista, ou greco-budismo?

Juro que fiquei muito surpreso quando li sobre essa relação. Acho que há muito problema de etnocentrismo dos dois lados. Não se sabe quem influenciou mais quem, embora na questão da arte budista primitiva, a influência helênica seja evidente.

Um dia você me falou da diferença que via entre o enfoque da filosofia, daquela mente discordiana e paranoica do Ciberxamanismo, e a do budismo. Qual seria mesmo essa diferença?

A filosofia acaba sempre se voltando a justificar a comunicação pela linguagem, isto é, ela é proposicional, ligada a formulações verbais (no fundo, ainda diálogos). Essa é a grande diversão e obstáculo da filosofia: ficar brincando com os limites do que pode ser dito. O problema em geral surge porque a nossa perspectiva começa a se contorcer para vir da linguagem, e não de nossa experiência no sentido mais cru da palavra, e muitas vezes podemos até mesmo esquecer que exista uma dimensão fora do texto ou do que possa ser pensado (através do texto, mas tudo que pode ser pensado pode ser pensado através do texto).

Você escreveu sobre as distorções do budismo pela modernidade, fale um pouco da repercussão desses textos.

Algumas vezes é difícil explicar o atraso acadêmico dos estudos asiáticos no Brasil. Quando eu estava na universidade federal, um dos meus professores — um bem bonachão e que tinha traduções publicadas do latim—disse que “não houve pensamento sistemático na Ásia antiga e medieval”. Muitas e muitas vezes as discussões se davam em torno dos entendimentos francamente datados de Schopenhauer ou Nietzsche. Quando muito, alguém mencionava Heidegger e a escola de Tokyo — que por si só são vastas distorções tão ridículas quanto as dezoitocentistas.

Como você mesmo evitou essas armadilhas?

Bom, eu desconfiava de tudo, sempre, acho que essa é uma boa qualidade. Então ao ler os beats, Fritjof Capra, Nietzsche, teosofia, perenialistas, Mircea Eliade, eu sempre mantinha um pé no chão, e pensava “esses textos estão longe de serem confiáveis”. Eu só descobri algo realmente confiável sobre budismo ao me engajar numa sangha, daí se abriram livros como o Além do Materialismo Espiritual, de que já falei.

Livros importantes… sobre gatos.

Você teve uma formação literária muito interessante, desde os primórdios de sua formação se interessou por clássicos da ficção científica, como “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Alguém o influenciou nesse gosto?

Admirável Mundo Novo foi um dos livros que o “Galo Superdotado” do livro infantil homônimo de Maria Dinorah devorava, e assim, acabou sendo um dos primeiros livros adultos que li, lá pelos 7 ou 8 anos de idade. Não sei se entendi muito, mas lembro de ter ficado muito impressionado.

Com cinco anos de idade.

Você foi alguma espécie de prodígio?

Acho que alguns adultos me levavam a pensar que sim, e eu gostava da ideia, mas, a bem da verdade, hoje desconfio disso tudo — não há nada de extraordinário em recitar as capitais de todos os países para um adulto, e no fundo eu tenho dificuldade com muitas coisas, e nunca aprendi a ter gosto por estudar, por exemplo. Acho que a ideia do savant sempre me atraiu, e por muito tempo eu vivi pensando em mim mesmo como “diferente”, e, claro, melhor que os outros.

Quais foram os títulos mais importantes da sua infância e adolescência?

Listo meus livros favoritos ao longo do tempo em tzal.org — meu livro favorito por muito tempo foi O Colapso do Universo, de Isaac Asimov, que contava sobre o surgimento e o fim das estrelas, e explicava as quatro forças (forte, fraca, eletromagnetismo e gravidade). Passei boa parte da infância pensando sobre estrelas e interações dessas forças.

O que te atrai(u) na ficção científica?

A ficção científica, em retrospecto hoje consigo ver, parece ter sido, num determinado ponto da história, um jeito das questões importantes e vastas serem apresentadas num formato compreensível e palatável ao gosto popular, ou para uma criança. Falo “foi” porque acho que em certo sentido a ficção científica já está mal das pernas há várias décadas. Parece até que essa profundidade não existe mais tanto na ficção científica.

No leste europeu, Pelotas/RS.

Tenho esse gosto pelas epifanias da ficção científica. Sei que concordas comigo que “Brazil” é uma obra genial, mas eu também gosto de, por exemplo, “Cloud Atlas”, que vi e degluti do começo ao fim recentemente. Gostei do aspecto sci-fi deste filme.

Sabe que baixei e não consegui ver. Pelo jeito estou mais desconfiado das epifanias que você! Mas você está certo, há ótimas exceções até os dias de hoje.

Qual foi o primeiro título em inglês que você leu?

As primeiras coisas que eu tentei ler em inglês eram revistas americanas e inglesas de computadores: Apple ][, Spectrum, Amiga. Elas custavam uma fortuna, mas chegavam ao centro de Porto Alegre com regularidade. Depois vieram as Guitar Player e Guitar World, e em 93, quando entrei pela primeira vez na internet, letras de rock.

Contracenando com o Billy Bob, na época que curtia FC.

Você ainda tem esses livros?

Sim, a edição de bolso do Foucault’s Pendulum e o The Book of Lies do Aleister Crowley mantenho na estante. As revistas infelizmente se perderam.

E sua relação com a música? Você tem uma produção mais pra perto do ano 2000, e uma mais pra agora, 2013… Qual a diferença da produção? Quais suas influências?

Mesa do Pinheiro: tambor de chod, katag, violão bem sujo, serkhyen, guitarra wabi sabi, controle remoto do Kodi, Logic Pro no hackintosh, teclado bluetooth do hackintosh, teclado físico do hackintosh, UMX 490, muitos benjamins, Street Zen, mouse do hackintosh, modem da GVT, PC, contador de mantras, interface de guitarra, óculos da Zenniopticals, 2gb de ram, amplificador, xícara chinesa, xícara de gato…

Acho que você sabe cantar bem, e gosto da tua voz porque gosto da tua pronúncia do inglês. Acho legais tuas versões de “The Crystal Ship” (The Doors) e “Don’t Let it Bring you Down” (Neil Young).

Puxa, obrigado! “Crystal Ship” eu acho que não arruíno totalmente, mas minha “Don’t Let it Bring you Down” eu tremo de desgosto quando ouço — acho que nem está na internet, pelo que lembro. Essas gravações foram ao vivo, com um microfone de computador captando voz e violão. Mas tenho aprendido a consertar a afinação via Logic Pro, e a usar o autotune — e agora gravo tudo separado, e com um microfone condensador, bem melhor. Usar essas ferramentas de correção pode parecer horrível para quem ama a música orgânica, coisa e tal, mas no meu caso tem que ser. E o autotune acho que pode ter usos artísticos, em alguns casos. Vamos ver no que dá.

E sua experiência como tradutor de professores do darma, como você se prepara para traduzir um professor do darma? Como é na hora? Normalmente vemos que é muito rápida a tradução, você escreve em um caderno na hora, como é?

Normalmente faço uma entrevista onde pergunto ao professor sobre como ele prefere traduzir certas terminologias. Essa é a única preparação.

Quais professores do darma você já traduziu?

Khenpo Karthar Rinpoche, Ji Do Poep Sa Nim Heila Downey, B. Alan Wallace e, em algumas entrevistas, Chagdud Khadro e Tromge Jigme Rinpoche.

E sua experiência como tradutor de literatura, como tem sido, e se tem te ajudado a se tornar um melhor escritor?

É muito difícil fazer tradução literária. Escrever sempre ajuda, escrever as palavras de outros grandes autores, então… É claro que ajuda e muito. Na verdade o único livro que traduzi até agora foram as cartas entre Jack Kerouac e Allen Ginsberg, pela L&PM.

Gravando para o Canal Tendrel, no Youtube.

Você se considera um melhor escritor agora, tendo sido remunerado para escrever quase 250 artigos?

Acho que a disciplina de escrever dois textos por mês ajuda muito. Alguns dos textos são bem preparados e saem sem erros e quase prontos, outros eu acabo muito em cima do prazo e entrego “o que dá” — mas mesmo estes, considerando que se beneficiariam de uma revisadinha, acho que são ótimos textos.

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Escultor e espiritualista baseado em Joinville

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